Quando e como eu descobri que era portador da Síndrome de Parkinson




domingo, 5 de fevereiro de 2012

Simplesmente Incrível

Apesar da doença, me encontro muito bem condicionado fisicamente. Tenho plena convicção que os exercícios físicos realmente fazem a diferença.
Recentemente, visitei meus médicos. Eles não se cansam de me elogiar. O Dr. Luiz Fernando Martins me contou uma historinha que acho importante relatar.
O Dr. Disse:
“Há uma pesquisa americana na qual existem dois grupos de portadores de Parkinson. O primeiro é formado por pacientes que fazem exercícios físicos frequentemente e também fazem uso de medicamentos. O segundo grupo é composto por indivíduos que fazem, apenas, uso dos medicamentos sem atividades físicas complementares. Estes dois grupos foram analisados em um período de tempo”.
No grupo em que pacientes se exercitavam frequentemente, estes faziam uso de doses menores de medicamentos, comparados com o grupo dos sedentários.
Evidentemente que o segundo grupo estava em piores condições, ou seja, o avanço da doença era visível além de consumirem doses maiores de um coquetel diversificado de medicamentos.
O comprometimento orgânico do segundo grupo era bem superior em comparação ao primeiro grupo, pois é sabido que os efeitos colaterais da medicação afetam órgãos vitais.
Exercícios físicos, aeróbicos e anaeróbicos, concatenados com muito alongamento, assistido por profissional da área, são vitais para a saúde de um parkinsoniano. Digo assistido, pois exercícios físicos sem acompanhamento profissional, ou além da medida certa, comprometem muito a musculatura do parkinsoniano, pois ela é encurtada, tensa, inelástica. Assim, todo cuidado é pouco.
Eu me comparo a um atleta profissional, já levanto da cama fazendo exercícios físicos. Há pessoas que defendem a hipótese de que o tipo sanguíneo de cada um de nós tem relação direta com a necessidade de exercícios físicos. É a chamada Dieta do Sangue.
Há uma teoria, segundo a naturopata Eva Herman, que trabalha com a dieta há oito anos, que o que é bom para cada um de nós já foi escolhido há milhares de anos e está na memória do nosso sangue.
Sabe-se que a nossa saúde também depende do que entra pela nossa boca. Assim, os alimentos são de suma importância para termos uma vida com qualidade.
Eu tenho experimentado concatenar exercícios físicos com a dieta do sangue.
Quem quiser conhecer mais profundamente deste assunto entre no link: http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-9371-3-148430,00.html
Quero corroborar, com este preâmbulo, a necessidade que um parkinsoniano tem em manter seus exercícios físicos.
Às vezes, encontro pessoas que detestam “malhar”, mas neste caso lembre-se que todo o esforço e concentração para o bom condicionamento do corpo são poucos.
O intento desta narrativa é comentar sobre uma viagem que realizei no final de Novembro à cidade de Franca – SP.
O simplesmente incrível é que este parkinsoniano que completa 10 anos desde o diagnóstico da doença, pegou o veículo e, sozinho, rumou para a cidade de Franca, em São Paulo, saindo de Goiânia - Goiás. Partiu às 10h da manhã e chegou ao destino aproximadamente às 18h, tendo percorrido quase 730 km.
Quando cheguei ao meu destino, apenas pernoitei nesta cidade e logo na manhã seguinte fiz o caminho de volta à origem. Cidade de Goiânia.
Cansativo? Evidentemente. Mas para um parkinsoniano, achei simplesmente incrível. E olhe que a estrada estava perigosa, pois chovia torrencialmente. Dirigir aproximadamente 1.500 km num intervalo de tempo tão curto exige concentração, coordenação, equilíbrio, determinação, coragem, ou seja, todos os adjetivos necessários para “trombar” com o mal de Parkinson.
É através desta energia positiva que controlo o meu Parkinson. Faço uso frequente do comando cerebral para me manter controlado. Uso palavras positivas como: “eu posso”, “eu devo”, “eu vou”, “jamais desanime”.
Elimine as palavras negativas. Faça do humor uma arma positiva.
Tenho recebido dezenas de comentários no meu blog relatando todo tipo de estado dos parkinsonianos. Na maioria, há um definhamento corporal pelo simples fato do sedentarismo pleno.
Já disse e reafirmo milhões de vezes, se for possível. A doença de Parkinson “adora” um parkinsoniano sedentário. Ela “deita e rola” quando pega alguém nestas condições.
Então sabendo disso, vamos sair dessa moleza e deixar o corpo sarado. Vocês verão uma melhora considerável.
Quando a doença já está bem instalada é mais difícil uma reação em curto prazo. Será necessário um esforço redobrado para uma recuperação plausível, porém nada é impossível quando queremos e desejamos algo.
Eu não me considero um caso especial de Parkinson. Meu mal está mais presente na bradicinesia (quadros psicomotores onde ocorre um início vagaroso dos movimentos). Ao longo destes 10 anos estou estagnado apenas nesta fase.
Tenho ouvido muitos comentários sobre os parkinsonianos que sofrem de depressão. Realmente, a depressão está sempre à espreita. É necessário estar de bem com a vida, rir bastante, namorar, amar a si e aos outros de verdade.
Viajar, aceitar convites para casamentos, aniversários, festas de uma maneira geral. Nunca se “enjaule” em casa. O Parkinson “adora” o fracassado, o sedentário, o medroso, o melancólico, o dorminhoco.
Lembram-se quando comprei o game Wii? Hoje já estou mais avançado! Tenho um XBOX 360, com Kinect. É simplesmente incrível! É ver para crer! Há uma grande interação com a realidade. Você jura que está num estádio jogando tênis, futebol, vôlei de praia, lutando, fazendo atletismo, participando de aventuras ou dançando.
Sabemos que jogos interativos ajudam na memória. Juntamente com leitura são exercícios complementares para quem sofre do mal de Parkinson.
Estou satisfeito. Faço uso continuo dessas tecnologias nas minhas atividades diárias, além de um acompanhamento de um Personal Trainner, de um Nutricionista e de uma Massoterapeuta.
Posto aqui fotos recentes para mostrar alguns exercícios que julgo importantes para nós parkinsonianos.
É assim que continuo vivendo: trabalhando, namorando, amando, exercitando, viajando, focando sempre no futuro, adjetivando positivamente, não lendo bulas de remédio, não pesquisando o mal de Parkinson, até porque, quem o pesquisa são os cientistas, laboratórios e os médicos.
Eu apenas sigo o que os médicos recomendam, pois se ficarmos obcecados nas pesquisas, certamente ficaremos depressivos e contaminando toda a nossa família.
Saber o necessário já é muito para mim. Realmente não assisto e nem fico buscando na mídia nada sobre a doença. Pode ter certeza que notícias boas chegam a você com velocidade. Poupe-se o máximo que puder. Você viverá menos estressado.
Para finalizar, não há nada pior para um parkinsoniano, que viver sob estresse. Pense nisso!