Quando e como eu descobri que era portador da Síndrome de Parkinson




sábado, 8 de março de 2014

A minha vida pós DBS

Muitas pessoas querem saber sobre a minha vida após o implante do neurotransmissor cerebral.
Relato sempre que meu blog é um diário que um parkinsoniano tenta transmitir para as pessoas interessadas, como vive, como se comporta, como age, uma pessoa portadora desta doença.
Eu digo que minha vida mudou completamente após o implante.
Há três Ronaldo neste trajeto de vida, ao longo destes 62 anos.
Um Ronaldo obstinado, decidido, focado em objetivos, prático, determinado, que viveu até os 50 anos.
Um Ronaldo lúcido, idealista, porém combalido, que luta frente a uma doença terrível, determinado, disciplinado, lutador, correndo por um objetivo, sempre na esperança de que a ciência possa encontrar uma luz, para por fim a esta moléstia.
Decorrido 11 anos desde o diagnóstico, e por mais que tentemos vencê-la, parece impossível ganhar desta doença.
Ela vai minando nossas forças, delapando aos poucos, como água que as ondas fazem sob um barranco, desmoronando-o.
E, por último, o Ronaldo após a cirurgia para o implante do DBS. Realmente nasce outra pessoa.
Não há por menos, pois implantar quatro eletrodos profundos no seu cérebro, ligados a um estimulador colocado sob a pele no lado esquerdo do seu peito, não é nada fácil.
Você percebe facilmente os cabos de condução que vão doravante estimular seu cérebro. O comportamento frente à nova vida muda radicalmente.
Principalmente no tocante aos exercícios físicos e atividades físicas vistos como radicais, como: tênis, saltar de paraquedas, bote nas corredeiras, bungee jumping dentre outros.
Então o que mudou realmente na sua vida após o implante?

O sono. Melhorou muito. Hoje posso dizer que tenho um sono normal, durmo a noite inteira e ainda acordo com sono.
Antes de levantar faço uns cinco minutos de alongamentos ainda na cama, para relaxar a musculatura. Principalmente a facial, mãos, pés, pescoço e a panturrilha.
Não tenho mais o freezing, ou o ON/OFF. Um dos sintomas de grande significado da doença.
Faço as higienes convencionais e eu mesmo preparo o meu desjejum.
Como eu disse anteriormente, a minha primeira refeição é mesmo de rei. Preparo um coquetel contendo: 3 bananas, 1 abacate e 1 manga ou 1 mamão. 2 colheres de sopa de aveia, 2 colheres de fibra de soja, 2 colheres de germe de trigo tostado, 1 colher de chá de farinha de linhaça, 1 colher de chá de semente de gergelim, 2 colheres de sopa de achocolatado, uma pitada de sal, 2 colheres de açúcar mascavo, água, e não leite - importante, pois produtos lácteos mascaram o principal medicamento para o Parkinson - Prolopa.
Bato em um liquidificador ou correlato e ingiro durante o dia.
Em caso de dúvidas consulte um nutricionista.
Faço exercícios físicos diariamente como caminhada e alongamentos.
Leio bastante( ler bastante exercita o cérebro).
Ter uma atividade de trabalho sem muito estresse.
Eu não tenho certeza, mas parece que passei a ser uma pessoa mais circunspecta. Passei a ser mais seletivo para com minhas relações pessoais. Procuro ser mais objetivo nas tratativas rotineiras.
Minha memória está totalmente preservada.
Tenho viajado mais. Tenho namorado mais. Como diz a música dos tribalistas: " já sei namorar"
" já sei namorar, já sei beijar de língua agora só me resta sonhar...."
Fazendo uma pesquisa logo depois de ler uma reportagem do meu amigo médico Dr. Luis Fernando: O amor é puramente uma química, tendo ministrado uma palestra sobre os hormônios do aconchego,  selecionei a substância ocitocina, responsável pelo prazer.
A droga do amor, logo percebi que fazer o bem, fazer rir mais, sermos mais cavalheiros, mais gentis com as pessoas, querer acariciar mais sua companheira. Assim você estará estimulando a produção deste hormônio tão significativo para uma relação mais íntima.
Quanto mais você se dá, mais você recebe. A substância pode ter efeito profundo sobre como se sente e como você vê o mundo. Então vamos liberar a ocitocina?
Embora ainda não totalmente compreendidas, acredita-se que a chave para os benefícios da ocitocina à saúde residem na sua capacidade de combater o estresse. Aliviando o estresse, inevitavelmente, curam-se muitas doenças.